Por Amadeu Bernardo Silva

Em artigo anterior refleti sobre a dificuldade do SER artista. Nele um dos aspectos abordados foi o como é difícil para a maioria dos artistas conseguir independência financeira através da sua arte.

Esse aspecto nos leva a outra pergunta: o que faz uma pessoa se interessar por uma obra de arte?

Se pensarmos do lado objetivo, ou seja das motivações que levam à escolha de uma obra em detrimento de outra precisaremos separar o investidor que compra pela expectativa de lucro respaldado em diversos fatores, daquele que compra por necessidades pessoais específicas, que podem ser oriundas de estar compondo ou complementando uma decoração, sentindo em seu interior que sua casa ou ambiente precisa de algo mais, por gostar de curtir arte e estar desperto sentindo que precisa dela para viver, por ver a valorização dada por amigos, etc.

Aproximando um pouco mais o foco, para determinarmos o porque da escolha de uma obra em detrimento de outra vemos que alguns fatores influenciam essa escolha, tais como:

  • imagens ou cores que nos remetem consciente ou inconscientemente a fases ou acontecimentos positivos ou não do passado;
  • preferências ou não por tipos de imagens ou cores;
  • conceitos evidentes ou aos quais a obra nos remeta;
  • composição e qualidade estética;
  • e qualidade técnica do artista, dentre outros.

Entretanto, há um outro aspecto da questão a ser considerado: o que determina a escolha de uma obra específica escolhida entre duas ou três que satisfazem quando considerados os aspectos acima citados? Vale dizer que fomos atraídos ou impactados emocionalmente mais por umas que por outras, ou seja quanto maior o impacto emocional positivo maior a possibilidade dessa obra ser escolhida dentre outras, ou seja, o conteúdo emocional impregnado na obra independente de outros fatores também influencia fortemente a escolha.

Essa conclusão traz a necessidade de especialização também em metodologias que propiciem ao artista a possibilidade de agregar à sua obra todo o seu potencial emocional, garantindo o máximo de impacto extrassensorial sobre o apreciador despertando com isso o seu interesse em adquiri-la e com ela conviver. Esse atributo poderia ser denominado “qualidade emocional”.

Naturalmente o incrementar essa qualidade não substitui a atuação mercadológica necessária ao processo comercial da arte.