O conceito “brega” teria a ver com gosto de pessoas de determinadas áreas geográficas, sócio culturais, ou nível de poder aquisitivo?

Quando ouvimos alguém afirmando “isso é brega” relativamente a uma obra de arte, música, roupa, utensílio, comportamento ou outra manifestação humana me pergunto qual a base lógica para essa afirmação. Seria preconceito ou haveriam razões que levem as pessoas a esse tipo de reação?

Analisando a questão relativamente às artes cheguei a algumas conclusões, as quais apresento abaixo e que se corretas poderiam esclarecer essa questão também relativamente aos outros usos desse termo.

Assim, sem defini-la como verdade absoluta, apresento minha reflexão esperando com isso contribuir para o desenvolvimento da arte e da sua utilidade social.

O nível técnico e emocional de qualquer produção artística ou obra de arte poderia ser explicado pelos atributos e técnicas com seus respectivos níveis utilizados pelo artista em seu processo criativo. Analisando uma peça musical, por exemplo, teríamos a beleza da melodia, da sua letra ou poesia, da harmonia entre letra e melodia, dos sentimentos envolvidos em ambas, o sentimento e técnicas dos interpretes, em suma, a qualidade técnica envolvida a nos mostrar a beleza do tema e sua expressão. Pensando assim podemos notar que todos os atributos estão ligados de alguma forma a aspectos de beleza e com isso contribui para que a arte, nesse caso a música, leve o público a se acostumar com a participação desse nível de belo cada vez mais em sua vida o estabeleça como padrão para o seu viver. Como consequência, ao se habituar com o referido nível de belo passa a viver e se comportar influenciado por esse padrão de arte em tudo que realiza, ou seja, a arte / música contribui efetivamente para um viver mais leve, alegre e belo promovendo inclusive o aumento da sensibilidade e civilidade da população quando esse nível está acima do padrão ao qual estava habituado, ou o leva para a degradação caso o nível de beleza da mesma seja inferior ao seu padrão de belo.

A mesma linha de raciocínio poderia ser desenvolvida para qualquer manifestação artística.
Como sabemos, ao se repetir um determinado tipo de movimento ou comportamento por diversas vezes vamos com isso criando o hábito de agir e reagir dessa maneira, ou seja automatizamos comportamentos, bem como formas de agir e de pensar e, como sabemos, a arte sempre provoca reações naturais desse tipo nas pessoas que com ela convivam ou participem. Isso equivale a dizer, como sempre se acreditou desde a antiguidade, que a arte tem a missão de contribuir para o desenvolvimento da civilização, sendo por isso que as mais desenvolvidas são as que apresentam maior nível de qualidade artística.

Quando o artista, ainda que não perceba, negligencia ou mesmo reduz o nível de qualidade de um ou mais dos atributos acima citados, ele faz com que sua arte leve o público a se acostumar e criar hábitos compatíveis com esse nível e com isso pode levá-lo até a reduzir sua própria sensibilidade e civilidade. Naturalmente essa contribuição será mais perceptível nas relações pessoais e afetivas e nas diversas formas de expressão verbal.

Quando analisamos o que a maioria das pessoas classifica como brega, vemos que brega é o objeto, produto ou manifestação artística que careça de aspectos fundamentais de beleza visível ou de sentimentos que podem ser percebidos pelas pessoas que já desenvolveram hábitos que incorporam níveis mais altos da qualidade proporcionada pela arte.
Isso nos levaria à conclusão que assim como a arte o “brega” também tem níveis.
Pela minha observação percebi que algumas manifestações artísticas, especialmente as musicais, que estão mais presentes na vida da população em geral, são classificadas como “brega” por vezes como consequência da forma egoica apresentada pelo artista, já que em muitos casos se admite que se apresentadas por outros artistas não seriam classificadas como tal.
Se considerarmos essa afirmação como verdadeira poderíamos afirmar que é o artista que faz a manifestação artística se tornar brega, isso porque nesse caso o ego busca mostrar a qualidade do artista e não da sua arte.